A última a morrer


Aquela menina que andava saltitante pelas ruas era diferente do restante,com cores vivas no seu vestido,ela sorria e dançava,sorria e cantava,que sorriso encantador ela tinha!

Ao meu redor todos de preto e cinza,as únicas cores que via era daquele vestido e do rosto iluminado da menina,ela veio até mim segurou minhas mãos entre as suas e perguntou "você sabe quem eu sou?",eu pensei durante um instante,ela me parecia familiar,mas não me vinha nenhum nome a cabeça. "Não.Não sei,quem é você?" ela sorriu de forma ainda mais acolhedora e disse " eu sou a última a morrer" e saiu saltitando,nem ao menos me deixou perguntar o que aquilo queria dizer.

Durante dias eu varri as ruas com com os olhos a procura de um vestido de cores vibrantes ou de uma menina saltitante, não encontrei,mas não fiquei frustrada por isso, porque desde daquele dia algo se renovou em mim, algo cálido que faz morada no coração de forma pacífica.

No entanto,em um daqueles dias que acordamos e simplesmente tentamos viver porque não há outra coisa a se fazer,eu fui ao parque e me sentei no mesmo banco de sempre,ela estava lá,a menina, porém muito distante para que a minha voz a alcançasse, mesmo assim eu gritei tentando lhe chamar a atenção,uma criança que brincava por perto virou o rosto pra mim e então olhou na direção em que eu estava olhando.

A criança sentou no banco ao meu lado "você também a vê?" ela perguntou,eu a olhei surpresa e respondi hesitante "Sim.Você sabe quem ela é?" "Adultos são meio cegos,mas pelo menos você a vê o que já é muito. Não consegue adivinhar o nome dela,nem um chute?" "Não faço ideia" falo ansiosa pra saber logo a resposta,a criança sorri,olha  pra menina a distância​ e diz "O nome dela é Esperança".

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