A menina guerreira




A menina empunhava uma espada,vestia uma armadura e lutava,mas a mim parecia ser contra seres invisíveis,ela continuava a lutar e no seu rosto havia uma bravura selvagem ele nem se fadigava,aos poucos eu comecei a ver formas meio embasadas que falavam e a rodeavam.

Rindo e zombando "menininha fique quietinha" "você tem que crescer minha querida,não pode ser criança para sempre" ,"você não quer ser triste você não quer ser louca você não quer ser má", "O mundo é feio é muito grande para gente pequena"

A menina continuava a lutar,lutar como se sua vida estivesse em jogo,um dos monstros cantarolou "você não tem voz, você não tem voz...",de repente eu conseguia ver todos claramente,todos eles inclusive a menina que antes desconhecia o rosto,e com espanto percebi que aquela sou eu,mas eu cresci e sou uma mulher agora.

A menina me olhou com uma estranha mistura de desespero e compaixão, compaixão... por mim por nós, pela coragem de criança que eu deixei de ter,agora eu vejo os monstros não são mais formas embaçadas são pessoas eu as reconheço, aquela li foi minha professora da quinta série me dizendo que eu não sou boa suficiente, aquele ali é um menino que foi meu vizinho dizendo que eu sou estranha,e aquela ali sou eu dizendo cresça você tem que crescer, não seja mais desse jeito é esquisito.

A menina de armadura está perdendo a batalha,mas eu não deixo eu vou com fúria,como eu permiti que me roubassem de mim?Eu vou me sentindo fraca e forte,eu vou vou me sentindo triste e eufórica e dou a mão a menina e nesse momento ela sorri,eu sorrio,eu a vejo e me vejo e quando olhamos ao redor os monstros desapareceram eu olho para nossas mãos unidas e a menina também,ela solta a minha mão e diz "eu estou aqui", aponta pro meu peito e põe a palma da mão no meu coração eu fecho os olhos e quando os reabro ela não está mais na minha frente,no entanto mesmo assim eu sorrio, porque sei aonde ela está e sei que agora é  um lugar seguro.

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